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» História
Santa Comba, situada nas terras férteis da margem direita do rio Lima, onde ocupa uma área de cerca de 166 ha dista cerca de três quilómetros da sede do concelho. É composta pelos seguintes lugares: Ano Bom, Carro, Chandezil (ou Chão do Gil), Crasto, Crespo, Igreja Nova, Igreja Velha, Monte, Sobrevila e Rego do Azar (ou Azal). Os seus limites estão estabelecidos com as seguintes freguesias limianas: a Norte, a Freguesia de Sá, a Sul, a Freguesia de Arcozelo, a Nascente, a Freguesia de Bertiandos e a Poente, a Freguesia de Correlhã, neste caso, tendo a separa-las o rio Lima.
A antiga freguesia de Santa Comba (Santa Comba do Lima, segundo alguns autores) era vigairaria da apresentação da abadessa das religiosas do Mosteiro de Vale de Pereiras, no termo de Ponte de Lima. Passou depois para a mitra. O vigário tinha duzentos e noventa mil réis de renda anual.
Aproveitou do foral de S. Martinho, dado por D. Manuel, em Lisboa, a 2 de Junho de 1515.
No livro Inventário Colectivo dos Registros Paroquiais Vol. 2 Norte Arquivos Nacionais /Torre do Tombo, pode ler-se na íntegra:
« Em 1258, na lista das Igrejas situadas no território ao norte do rio Lima, elaborada por ocasião das Inquirições de D. Afonso III, a igreja de Sancta Columba era do padroado real.
No catálogo das mesmas igrejas, mandado organizar, em 1320, pelo rei D. Dinis para pagamento de taxa, Santa Comba de Riba de Lima foi taxada em 50 libras.
Em 1444, a comarca eclesiástica de Valença, situada entre os rios Lima e Minho, foi desmembrada do bispado de Tui, passando este território a pertencer ao bispado de Ceuta, até 1512. Nesta ano, o arcebispo de Braga, D. Diogo de Sousa, deu ao bispo de Ceuta, D. Henrique, a comarca eclesiástica de Olivença, recebendo em troca a de Valença do Minho.
Em 1513, o para Leão X aprovou a permuta.
No registo da avaliação, de 1546, organizado no tempo do arcebispo D. Manuel de Sousa, Santa Comba de Lima foi avaliada em 12 mil réis.
Na copia de 1580 do Censual de D. Frei Baltasar Limpo, Santa Comba de Riba de Lima figura como anexa perpetua ao mosteiro de Santa Clara de Riba de Lima.
Segundo Américo Costa, foi vigairaria da apresentação do mosteiro de Vale de Pereiras, no termo de Ponte de Lima.
Lenda de Santa Comba
«Ora um dia sucedeu passar pela ermida de Santa Comba um moço peregrino que se destinava a Santiago de Compostela, onde ia implorar o santo galego, de grande nomeada em terras de entre Douro e Minho.
A sua confessada, a prometida noiva, linda como os amores, adoecera repentinamente de misteriosa doença, e toda se definhava, coitadinha da pobre, sem vida nos olhos, que dantes eram como dois carbúnculos, sem alegria nos lábios, que dantes causavam a inveja dos rouxinóis.
E o namorado mancebo, pobrezinho de Cristo, pôs-se a caminho, cheio de fé num milagre, confiante no grande prestígio de Santiago.
Levava a escarcela vazia, e, por único recurso, para a longa caminhada através dos montes do Minho, a sua rabeca, primitivo instrumento de que fazia brotar sentidas melodias nos lugarejos que transitava...
E nunca lhe faltou pão nem pousada, e através montes e vales, foi seguindo sua romagem piedosa...
Já tinha caminhado sete dias e sete noites, quando se lhe deparou, junto do Lima, ensombreada por castanheiras seculares, a ermidinha de Santa Comba.
Nunca seus olhos haviam contemplado tamanha maravilha, madona de tanta riqueza e brilho!
Ficou como absorto, ficou fascinado. Involuntariamente, caiu de joelhos, em prece piedosa, com todo o fervor da sua alma de crente.
E a imagem da santa não foi insensível à sua oração... Comoveu-a a candura do moço namorado. Descerrando os lábios, num murmúrio doce, muito doce, interrogou:
- Que dor vos alanceia? Que sofrimento é o vosso, moço peregrino?
Entre soluços, o pobrezinho contou à santa as suas desditas, e o que o levava, cheio de esperanças, a Compostela.
- Podeis retroceder.. Vossa noiva é curada... A vossa ardente fé é digna desse prémio... Podeis voltar atrás!
Rindo e chorando, não cabendo em si de contentamento, e não sabendo como agradecer tão grande milagre, o peregrino pegou da rabeca, e fez ouvir uma canção plangente, repassada de sentimento, triste, muito triste...
Quando o arco ia a repousar do último gemido, que mais parecia vibrado nas cordas da alma, Santa Comba, olhos marejados de lágrimas, enternecia pela música gemente do violino, descalçou um dos chapins de oiro, e estendeu-o, num gesto gracioso, ao tocador de rabeca, que recebeu, mudo de assombro, a preciosa dadiva.
De regresso a casa, louco de alegria ao passar em Ponte, entrou na loja de um ourives a propor-lhe a venda do sapato de oiro.
Mas eis que o ourives, reconhecendo um dos preciosos chapins da Santa, começou de gritar:
-Roubo sacrílego! Roubo sacrílego! Prendam o ladrão!
E logo o prenderam, e, bem algemado, o conduziram para uma das torres da espessa muralha que defendia a povoação.
Debalde protestou a sua inocência, o pobre! Ninguém acreditava em suas juras. A história que contava, a justificar-se, era tida por grosseiro embuste...
E o julgamento foi rápido, e o moço peregrino foi condenado a padecer na forca morte afrontosa, sendo escolhido para local do suplício o largo fronteira à branca ermidinha que presenciara o crime que lhe imputavam.
Chegou o dia marcado para a execução da sentença. O desditoso conseguiu obter dos seus juízes que lhe fosse dado fazer oração junto à ermida, e ali fazer ouvir mais uma vez - a derradeira! - as harmonias do seu violino.
Já o carrasco espera que lhe entreguem o prisioneiro, para executar a justiça dos homens; já os frades e os religiosos entoam os salmos dos moribundos ...
Depois de ter ajoelhado em oração, o infortunado peregrino repetiu a música dolente que tempos antes lhe valera a mercê da santa, - a que ia dever agora a morte, o triste suplício da forca. Assombro dos assombros, milagre dos milagres, maravilha das maravilhas! Santa Comba descalçou o outro pé, e com um sorriso divino, em face da multidão deslumbrada, ofereceu o chapim de oiro, que lhe restava, ao tocador de violino! ...
Em vez da execução que estava preparada, logo se improvisou uma luzida festa, de uma alegria sem mancha; e, ao som de adufes e castanholas, houve danças e descantes; foi um dia de folguedo.
E o peregrino pôde seguir livremente o caminho da sua choupana, levando consigo um precioso talisman, uma riqueza: -os chapins de oiro de Santa Comba. Com eles presenteou a noiva, que foi encontrar florescente de saúde...
Santa Comba! -Que saudades!... jantares na modesta casinha da residência, em que a mãe e as irmãs do abade tôdas se afadigavam, amimando os convidados, muito felizes, muito satisfeitas... Festas na igreja, recamadinha de luzes, e rescendente de flores, com música e coros, e sermão do padre Cónego... Leilão de prendas no adro... baile na loja espaçosa do tio Zé da Estrada... E aquele lindo domingo de Páscoa em que o padre Gonçalo estreou a estola nova, branquinha, bordada a oiro!... E o baptizado do filho do regedor!... Santa Comba!...
Foi em Santa Comba, da boca da caseira velhinha do Dr. Francisco Maia, da boa tia Eufémia, que nos foi dado ouvir, numa tarde de Agosto, a lenda encantadora que aí fica, desataviada de enfeites...
Santa Comba! ... Que saudades!...»
Lenda do Rego do Azar
«Nos tempos em que o moço Infante D. Afonso Henriques andava a guerrear o partido galego, já depois da batalha de S. Mamede, eram frequente s as incursões e as escaramuças entre o Minho e a Galiza, devido à guerra civil havida entre os cristãos.
Os adeptos da mãe de Afonso Henriques, chefiados pelo galego Fernando Peres e pela própria amante Teresa, não desistiram logo à primeira, apesar de bem derrotados em S. Mamede. Por isso o vitorioso revoltado de Guimarães teve repetidas vezes que acudir pelos caminhos serranos de Braga a Santiago de Compostela, de modo a expulsar os que pretendiam ser vassalos do Rei de Leão e não do primeiro Rei Português.
Numa dessas cansativas incursões, por um desses dias calorentos do Verão de Julho ou Agosto, iam os cavaleiros suados e sequiosos por um atalho que descia de um pequeno chão ou planalto, chamado de Gil ( Chão de Gã ), quando depararam com um pequeno regato ou rego de água. Deu ordem o chefe dos Portucalenses para desmontarem, darem água aos animais e eles próprios beberem.
Eis senão quando ainda mal saciados e dessedentados naquela água fresquinha, são atacados por um numeroso grupo de partidários galegos, que lhes fizeram muito dano em vidas, ferimentos e roubos de animais. Aquela pequena batalha não favoreceu os Portucalenses de D. Afonso Henriques, morrendo alguns junto daquele rego de água, afinal um rego de azar ou "Rego de Azal".
A piedade manda que, ao passarmos junto do pequeno "nicho das alminhas" naquele sítio do Rego do Azar, nos lembremos daqueles primeiros heróis da nossa Pátria.»
Fontes consultadas: Dicionário Enciclopédico das Freguesias, Freguesias- Autarcas do Séc. XXI, Inventário Colectivo dos registros Paroquiais Vol. 2 Norte Arquivos Nacionais /Torre do Tombo e Trabalho de pesquisa dos alunos da Escola Primária de Santa Comba, Ecos do Passado N.A.P./P.I.P.S.E - 1992 e Delfim Guimarães, Santa Comba, in In Memoríam de Delfim Guimarães, 1872-1933, 1934. |
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